domingo, 8 de fevereiro de 2009

A persistência de Nelson Mandela

Poucos homens da atualidade encarnaram tão completamente o conceito de persistência como o sul-africano Nelson Rolihlahla Mandela. Principal representante do movimento anti-Apartheid, considerado pelo povo um guerreiro em luta pela liberdade, era tido pelo governo sul-africano como um terrorista e passou quase três décadas na cadeia. Sua libertação significou um marco na história contemporânea e mereceu um prêmio Nobel. Sua liderança e seus ideais pacíficos de igualdade para todas as etnias da África do Sul lhe granjearam a presidência da república aos 76 anos.
Filho de um chefe da etnia Xhosa, Mandela nasceu em 1918 num vilarejo remoto da região do Transkei. Aos sete anos, tornou-se o primeiro membro da família a freqüentar a escola, onde lhe foi dado o nome inglês "Nelson". Com 19 anos, começou o curso de direito na Universidade de Fort Hare, de onde foi expulso ao final do primeiro ano após envolver-se num boicote contra as políticas universitárias. Continuou os estudos de direito na Universidade da África do Sul (UNISA) e na Universidade de Witwatersrand, em Johanesburgo, onde se envolveu na oposição ao regime do apartheid. Essa era a política de exclusão sistemática de negros, mestiços e indianos aos direitos políticos, sociais e econômicos mais básicos.
Uniu-se ao Congresso Nacional Africano (CNA) em 1942, fundando a Liga Jovem logo depois. Sua participação no CNA tornou-se mais ativa até que em 1955 juntou-se ao Congresso do Povo, divulgando a Carta da Liberdade – documento fundamental para a causa anti-apartheid.Comprometido de início apenas com atos não-violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville, em março de 1960, quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180.Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua por sabotagem e conspiração. Durante os anos 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985, não aceitou a liberdade condicional em troca de abdicar da luta anti-apartheid. Mandela continuou na prisão até fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk. Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da paz em 1993. Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa. Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Ele recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Elizabeth 2ª., a medalha presidencial da Liberdade, de George W. Bush, o Bharat Ratna (a distinção mais alta da Índia) e a Ordem do Canadá.Mandela retirou-se da vida pública em 2004, aos 85 anos. A comemoração de seu aniversário de 90 anos, em julho de 2008, foi um ato público em Londres, contando com a presença de artistas e celebridades engajadas nos movimentos de libertação dos povos.

(Sobre texto da UOL Educação)

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