domingo, 8 de fevereiro de 2009

A paz de Mohandas Gandhi

Conhecer a vida de Mohandas Karamchand Gandhi, o conhecido "Mahatma" (A Grande Alma), é entender o processo de libertação da Índia de mais de dois séculos de domínio colonial britânico, quando os indianos eram considerados cidadãos de segunda classe. Nascido em 1869, não conheceu preconceito ou intolerância até formar-se em direito em Londres e retornar a Índia em 1891, para praticar a advocacia. Dois anos depois vai para a África do Sul, outra colônia britânica, onde inicia um movimento pacifista após ser espancado por defender os interesses dos indianos que lá moravam. Volta para a Índia em 1914 e difunde seu movimento, cujo método principal é a resistência passiva. Prega a subversão ao domínio britânico, usando a não violência como forma de luta.
Em 1922, organiza uma greve contra o aumento de impostos, na qual uma multidão queima um posto policial. Detido, declara-se culpado e é condenado a seis anos, mas sai da prisão em 1924. Em 1930, lidera marcha para o mar, quando milhares de pessoas andam mais de 320 quilômetros a pé, para protestar contra os impostos sobre o sal. Gandhi anuncia à multidão que pretende continuar em sua campanha pela desobediência civil, para obrigar a Inglaterra a dar a independência à Índia. É detido outra vez pelos britânicos. Em 1947 Gandhi tenta restabelecer a paz e evitar a luta entre hindus e muçulmanos, aceitando a divisão do país e dando início à décima-quinta greve de fome. O sacrifício pessoal de Gandhi consegue o que nem os políticos nem o exército conseguiram: a Índia conquista sua independência e é criado o Estado muçulmano do Paquistão. Porém, a divisão atrai para ele o ódio dos nacionalistas hindus, sendo assassinado por um extremista poucos meses depois, em janeiro de 1948, aos 78 anos.
Gandhi buscava acima de tudo o auto-conhecimento, o auto-controle e o amor entre as pessoas; para aumentar sua percepção e sensibilizar o povo em situações de conflito, promoveu os vários e demorados jejuns. Sempre tecendo com sua roca de fiar, usava com muita dignidade, humildade e sabedoria esses longos momentos, bem como os passados na prisão. Entendia que sua missão era lutar por uma Índia mais justa, solidária e pacífica, estendendo as mesmas práticas para a humanidade como um todo. Para tanto nunca usou nem defendeu o uso de força bruta, mas fundamentava suas ações nos princípios do Satyagraha para combater o regime imperialista britânico. O princípio do Satyagraha ou da não-agressão, traduzido como o caminho ou a busca da verdade, foi influenciado pelo Bhagavad Gita e por crenças hindus e jainistas, inspirando também gerações de ativistas democráticos e anti-racismo, incluindo Martin Luther King e Nelson Mandela.

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